Poesias Premiadas de 
Marilena Gomes Ribeiro

2º Lugar no I Concurso de Poesias e Trovas do Instituto dos Magistrados do Brasil

NOITE SERENA

Guarda-me no coração.
Quando estiveres triste,
quando não encontrares pouso,
constrói junto ao mar
uma casa com janelas e portas azuis.

Nos verões irás buscar-me.
Será tão bom dormir
sob a colcha longínqua do mar...

Em nossa vigília
florescerão as rosas
e antes que o turbilhão das luzes
acenda o sol,
encontraremos as estrelas
a caminhar com o vento
e seus sorrisos fulgurantes de orvalho.

Eu também te aguardo
sem lágrimas para derramar.
No brilho dos meus olhos, meteoros alegres,
a luz começará a surgir,
branca como as paisagens
que se descobrem,
além das vidraças.

Marilena Gomes Ribeiro

 

 

1º Lugar no I Prêmio de Poesia
Florbela Espanca. (1995)

Sol Poente
(soneto)

Volto meus olhos para ver estradas
sem poeira e sem brumas...só saudades.
Passo na vida deixando pegadas
tentando resgatar minhas verdades.

E sem dormir persigo as madrugadas,
desafiando minhas ansiedades
ao ver estrelas quase que apagadas,
assim como meus sonhos e vontades.

Amanhã o sol há de retornar
e ainda em meu sorriso há de encontrar
o que restou das esperanças mortas.

Hei de abrigá-las junto aos meus abraços,
sentindo o caminhar de leves passos,
tal como o vento abrindo velhas portas.

Marilena Gomes Ribeiro

 

 

1º Lugar no Concurso
de Poesias da FAMATh.
(Faculdade Maria Thereza) - 1997:

NOTURNO

Qual noite que se esconde em negro manto,
na fímbria de um azul que tinge o céu,
recolho-me sozinha no meu canto
me envolvendo também num negro véu.

Tento esconder a dor desse meu pranto
no imaginário dorso de um corcel
e disfarçando a mágoa e o desencanto
sinto-me ao vento, solta, quase ao léu.

Mas quando o dia, bate à minha porta,
descubro minha s’prança quase morta
caída, já sem forças rente ao chão.

Soergo-a numa força inanimada,
dos versos que escrevi de madrugada,
cheios de vida, plenos de paixão.

Marilena Gomes Ribeiro

 

 

1º Lugar no Concurso
de Poesias do SESC (1996):

Através da Vidraça

São tênues os fios de luz
que atravessam a vidraça.
Olho a madrugada
e vejo a vida
tentando renascer,
rompendo a noite
nas brumas de um tempo morto.
Sou prisioneira de mim
quando procuro
uma verdade longínqua
entre a névoa da minha insensatez
e a claridade que me surpreende
a cada amanhecer.
Quero sepultar os medos
e as incoerências
nesse solo frio
da minha incredulidade.
O amanhã se faz presente
em cada esperança.
O ontem é uma paisagem desértica
nas pegadas do passado.
Como reverter toda essa angústia,
todo esse estigma
que aniquila minha emoção
e deixa vestígios de um silêncio
efêmero e sutil?
Como debelar essa saudade
que me sufoca
submergindo lembranças
num mar de desespero?
Olho a franja larga das ondas
sobre a areia
e busco a minha paz
no inconformado
e estranho personagem
de ficções e mentiras
que habita meus sonhos.
Encontro em mim, apenas
essa sombra escondida, medrosa,
que espreita o mundo
através da vidraça.

Marilena Gomes Ribeiro

 

Menção Honrosa
Federação das Academias de Letras do Brasil, no II Concurso de Poesias Almirante Olavo Dantas

Vozes do Mar

Na alma gêmea do mar de verdes sonhos
naufrago essa minha alma enternecida.
Nos meus anseios sempre tão tristonhos
estão retalhos de uma pobre vida.

No seu iluminado e manso leito
descanso o meu cansaço e minha lida
quando em seus braços, a sorrir, me deito
a procurar a minha paz perdida.

Ele é às vezes o caminho escuro,
às tardes mornas, sempre que procuro
os seus abraços para adormecer.

Vou como um rio, calmo e mansamente
às profundezas do meu inconsciente
para o encontrar, sem nunca me deter.

Marilena Gomes Ribeiro


Poesia participante da
AGENDA POÉTICA ANE 2000
Associação Niteroiense de Escritores:

 

OUTONO

Adormeço sempre
num lamento escuro
procurando a minha força interior.

Arrasto o mundo olhando displicente
sob os rastros rubros do poente
sangrando as minhas mágoas,
ocultando a minha dor.

Favos escuros de minha tenra infância,
cicatrizes acesas das lembranças
nesse outono, grão de todas as manhãs.

No brilho das estrelas
com o coração adentro,
buscando a luz,
vibrando em pensamento
na força engrandecida de minh’alma.

Ah! se não fosse a noite tão misteriosa,
seria eu apenas sombra duvidosa
de um leve espectro do que hoje sou.

Antes da curva invertida do caminho,
seria rosa ou seria espinho,
seria apenas...uma mulher que amou.

Marilena Gomes Ribeiro

 


Minha homenagem a uma
paixão poética :

 

FLOR...BELA                               
Florbela Espanca

Minha poeta triste e amargurada,
eu quero em teu sorriso me encontrar.
Mas tu, no entanto, não sorrís por nada
e o teu sorriso mora em meu olhar.

Minha flor bela, tão despetalada...
tu foste um dia o meu desabrochar.
Partiste numa fria madrugada
sem adeus, como um pássaro a voar.

Eu renasci te amando em meus poemas
e fiz de ti, motivo dos meus temas,
falei contigo, às noites, desse amor.

Hoje padeço as dores mais extremas
a dividir-te as mágoas mais supremas
Minha Florbela...minha bela flor.

Marilena Gomes Ribeiro

Visite a página dedicada a Florbela Espanca

 

Minha poesia para a Agenda 2001 da ANE :


 
A PONTE


Há uma ponte que agora nos separa.

Esse cordão

que nos unia, direto ao coração,

partiu-se no momento

em que se partiu todo o meu ser

em pedaços.

 

Pedaços de mim,

que não consigo juntar.

Um fio imaginário,

que não consigo alcançar,

para que se faça novamente essa união

de corpo, alma e coração.

 

E a ponte continua à minha espera.

Nebulosa, fria, essa passagem sem cor,

só preciso para atravessá-la

do resgate do perdão e do amor.

 

Conseguirei?

Mistérios sem fim

que persistem em me fazer questionar

se um dia a atravessarei,

ou permaneço na esperança

de que venhas me buscar.

Marilena Gomes Ribeiro

 


 

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