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Website dedicado à poetisa portuguesa Florbela Espanca

Marilena Gomes Ribeiro

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BIOGRAFIA

A.N.E

POESIAS
FLORBELA
ESPANCA
O CANTO DOS POETAS AMIGOS

A Poesia e o Poeta.

Florbela Espanca 
1894-1930

Florbela Espanca - Poetisa Portuguesa

Poetisa portuguesa, nascida em 08 de dezembro de 1894 em Vila Viçosa – Alentenjo.

Em julho de 1917 conclui em Évora o curso de Letras. No ano de 1919 matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Casou-se três vezes. Alberto Moutinho, Antonio Guimarães e Mário Lage foram seus maridos, mas em nenhum encontrou o amor e a felicidade que buscou por toda sua vida. A face de sua personalidade marcada pelos conflitos matrimoniais e a prematura perda de seu irmão Apeles Espanca está expressa em toda a sua obra. Apesar de também ter escrito contos,( O Dominó Preto, As Máscras do Destino, Amor de Outrora ) sua tendência poética foi mais forte. Sua escrita é notável e foi qualificada como sonetista lírica e parnasiana. com reflexos de paixão , alma, amor, saudades, e vários outros temas deles derivados, quase sempre em forma de sonetos. Teve alguma influência das correntes de Antônio Nobre, Augusto Gil, Guerra Junqueiro e principalmente, Antero de Quental.

A Florbela poetisa, não se distancia de sua condição de mulher, com as suas paixões e sua maneira de ser, e as contradições e preconceitos próprios de sua época conservadora.

O Amor, foi o maior dos seus temas, mas a solidão e a tristeza também estão presentes assim como a evocação da morte que foi uma constante em seus últimos trabalhos.

No último ano de sua vida, escreve um Diário onde deixará anotações que são um prefácio do seu trágico fim. A morte anunciada ao longo dessa escrita, ocorrerá pouco tempo depois. Em 8 de dezembro de 1930, quando completa trinta e seis anos, abandona a vida.

Foi enterrada em Matosinhos, no Porto e mais tarde trasladada para sua terra natal.


 

As Quadras

A poesia de Florbela Espanca caracteriza-se em sua grande maioria, por sonetos que foram editados em seus livros:

  • Charneca em Flor
  • Livro de Mágoas
  • Livro de Soror Saudade
  • Reliquiae

Há contudo uma face menos conhecida dessa poetisa, que mostra-se por um certo período em que escreveu sob a modalidade de quadras. Num manuscrito que intitulou - “Trocando Olhares” ela inseriu “As quadras dele (I,II,II,IV)” , aos seus sonetos.

Veja algumas dessas quadras a seguir :


 

(1)

Saudades e amarguras
Tenho eu todos os dias,
Não podem pois adejar
Em meus versos, alegrias

Saudades e amarguras
Tenho eu todas as horas,
Quem noites só conheceu,
Não pode cantar auroras.


(6)

Teus olhos têm uma cor
Duma expressão tão divina,
Tão misteriosa, tão triste,
Como foi a minha sina.

É uma expressão de saudade
Vogando num mar incerto.
Parecem negros de longe,
Parecem azuis de perto.

Mas nem negros nem azuis
São teus olhos, meu amor,
Seriam da cor da mágoa
Se a mágoa tivesse cor!


Poetas

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!


Que diferença!...

Quando passas a meu lado,
E que olhas para mim,
Tornas-te da cor da rosa,
E eu da cor do jasmim.

Vê tu que expressões dif´rentes
Da nossa mesma ansiedade:
A cor da rosa é despeito,
A palidez é saudade!


Dedicatória

É só teu o meu livro; guarda-o bem;
Nele floresce o nosso casto amor
Nascido nesse dia em que o destino
Uniu o teu olhar à minha dor!

 


MAIS DA POESIA DE FLORBELA ESPANCA:

 

AMAR

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca

 

 

Os Versos que te Fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca

"O soneto 'SER POETA' de Florbela Espanca serviu de tema para uma composição musical de João Gil, músico portugues, que foi gravado  em CD pelo conjunto portugues - TROVANTE - ao vivo num show apresentado  no Pavilhão Atlântico em Lisboa em 1999. Para os músicos recebeu o título de "Perdidamente", o que não concordo, mas...paciência. 
Florbela não está mais entre nós para brigar por isso."

Marilena Gomes Ribeiro


Tal qual o sucesso de Fagner aqui no Brasil com "Fanatismo",também  de Florbela, "Ser Poeta" é cantado pelo público presente àquele espetáculo e é sucesso em Portugal :


SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além da Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amart-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

 

 



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