Marilena Gomes Ribeiro

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BIOGRAFIA

A.N.E

POESIAS
FLORBELA
ESPANCA
O CANTO DOS POETAS AMIGOS

O Canto dos Poetas Amigos

"Trata-se de uma dupla interpretação da palavra 
'Canto' - Seria do verbo cantar (no caso, versejar,tem relação 
com o poema lírico, etc.) com o 'Canto' referendado como 
lugar onde se está habitualmente, refúgio, etc.

A essência desse canto é a publicação de poesias de amigos, 
pessoas a quem considero e admiro pelo seu valor 
de inteligência, criatividade ou mesmo amizade.
"

Marilena G. Ribeiro

 

"Espaços"
Mila Babosa

"Se..."
Edna Coelho Barbosa

"Mãos"
Alda Corrêa Mendes Moreira

"Ceia"
Neusa Peçanha

"Semente Verde"
Margarida Manhães

"Introspecção"
José Dias Egipto

 



ESPAÇOS


Habitei em teu coração por algum tempo
foragida de outros mundos,
de outros campos,
de muitas guerras.

Habitei teu coração sem pedir licença
e nesse espaço nobre
fui chegando inteira,
de qualquer maneira.

Fui ganhando tempo e ganhaste meu corpo,
me envolvendo para sempre,
tornando eterno
o que seria pouco,
tornando imenso
o que seria nada.

Simplesmente, o teu coração.

Mila Barbosa

 


 

SE...


Se o amor foi embora,
se o frio do inverno
deixa teu corpo mais fraco,
não lamentes,
fica em paz com Deus, senhora.

Se a vida não te traz paz,
se muitos sonhos foram destruídos,
não lamentes,
fica em paz com Deus senhora.

Se o encanto do luar
não mais te fascina como outrora,
fica em paz com Deus senhora.

Se o brilho da aurora
não sorri para ti como antes,
não chores, atravessa os dias sorrindo
para que o calor do poente
não te veja chorando.

Te aquieta,
fica em paz com Deus, senhora.

Edna Coelho Barbosa
 (Poesia dedicada a Marilena quando 
da perda do seu esposo)

 

 

 

MÃOS


Fitando minhas mãos , recordo meu destino
e lembro minha infância embalada em folguedos;
quanta saudade tenho ao ver meu ser menino,
sem nunca imaginar da vida os seus segredos.

Com enorme prazer, nos dedos descortino,
de meu doce passado, inúmeros enredos;
e em cada teia eu sinto o puro amor divino,
sem olvidar jamais meus pueris brinquedos.

Mas a vida, nem sempre um fulgor de douçura,
às vezes bem cruel destrói toda ternuira,
fazendo então de mim um ser cheio de dor.

Porém revendo agora estas mãos bafejadas,
eu quero agradecer, com preces sublimadas,
o Dom que recebi das mãos do Criador.

Alda Corrêa Mendes Moreira

( Poesia classificada em 1º lugar no 
V Prêmio Silvestre Mônaco - ANE 1999 )

 

 

CEIA


Vieram famintos,
desnudos,
cansados.
Alforjes vazios,
os olhos opacos,
sentaram-se à mesa.

Vieram vestidos
de linho,
de seda.
Alforjes tão cheios,
os olhos tão ávidos,
sentaram-se à mesa.

E Ele chegou.
Na branca toalha,
ao longo estendida,
nem vinho,nem peixe,
nem água, nem pão.
Olhou-os nos olhos,
sentiu-lhes a fome,
sentiu-lhe os frio,
chamou-os - meus filhos,
serviu-lhes a paz.

Neusa Peçanha

 

 

 

SEMENTE VERDE


Quem ousou sufocar
a semente da esperança?
Esconderam-na sob a crosta
do solo esquecido, causticado pelo sol
ardente, inclemente.
Já não terá morrido,
já não terá sofrido essa semente
a solidão da descrença?...
Debruço-me contrito e deixo
que o pranto caia, copiosamente,
sobre os torrões disformes que a cobrem.
Ah! Pudessem minhas lágrimas
inundar o solo e fecundar a semente verde,
sedenta de ressurreição!
O sangue mancha a terra.
Fervilha a violência e os ódios fermentados
petrificam a vida.
A humanidade precisa de esperança,
como fonte de alimento, de sustento,
mostrando-lhe o porvir.
Os horizontes se abrem
em festa iluminada.
A semente verde brotou para crescer,
eternamente abençoada!

Margarida Manhães


INTROSPECÇÃO


Oh - pára um pouco,põe-te em pé,
retém o olhar neste horizonte
e escuta o murmurejar da tua vida
ai...a eterna despedida em cada onda
a sul, ai...assim batida pela maré...


Oh - vê agora esse barco ancorado
que jaz tímido ao teu lado,
ai...assim tão despido e esquecido das cores da juventude pela salsugem do tempo e dos amores das ondas,
sereias encantadas, ai...deste e de outros mares...


Oh - repara, és tu, ai...que como elas te escondes
no ângulo mais recôndito deste cais,
sofrendo o abandono da aragem mais fina e luzidia,
emerso no lodo e nas neblinas das manhãs
onde a pureza ai....até parece não voltar jamais...


Oh - desvenda os olhos, ai...rompe o nevoeiro que há em ti
e vem abrir os braços aos ventos varonis,
ai...deixa-os velejar ao sol do meio-dia
e verás as cores de outrora a voltar e as velas a enfunar
ai...de tal paz,de tal alegria que has-de ter saudades de ti, quando partires, ai... na maré de um belo dia !...

Autor: José Dias Egipto
Vila Nova de Gaia - Portugal

 

 

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