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FABIANA
BARROS
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Olhando no espelho da minha vasta sala de jantar pude enxergar o reflexo de
uma mulher, de um ser humano vencido pelo medo de despertar para a vida.
Feridas conquistadas ao longo do tempo que não me deu oportunidade de cicatrizá-
las. Talvez tenha faltado sagacidade para perceber a minha fraqueza e falta de
coragem para trilhar novos caminhos. Vencer o medo dos espinhos e da dor que,
com amor, pode ser superada.
Me vi insultada, ultrajada pela timidez, pela escassez de audácia em minha
alma, um semblante de uma menina acuada, amedrontada e vencida pelo medo de
viver. Olhei com mais atenção e percebi uma pequena chama de lucidez em meu
olhar, cavei e consegui encontrar este diamante que não me fez desistir da
vida, do constante continuar. Enxuguei as lágrimas que tentavam turvar os meus
olhos, respirei fundo e ouvi aplausos ecoando no meu interior. O calor da
emoção fez com que eu esquecesse, por alguns instantes, o mundo lá fora, um
lugar que mete medo, onde pessoas andam nas ruas com receio da própria sombra,
onde pais temem que os filhos não voltem das escolas. Lembrei do medo que tive
quando, no passado, o meu pai me disse: “Filha, agora você já pode caminhar
sozinha, conquistar a vida e o seu espaço como ser humano.” Tive tanto medo de
não ser aceita pela sociedade que julga e escraviza os sentimentos, a mesma que
coloca numa enorme balança e, em situação de total desigualdade, os verbos Ser
e Ter . Abracei a minha mãe e fui de encontra à minha luta. Conquistei um amor,
um marido, um companheiro para compartilhar sonhos comigo.
Os filhos chegaram e o medo do fracasso aumentou. Sobrevivi as tempestades da
alma e do coração, as altas do dólar, aos planos econômicos, aos nãos, as
pessoas que me julgaram, ao simples sair de casa sem a certeza de voltar.
Conquistei coisas, conheci lugares, pessoas, culturas, mas durante estes anos
todos não parei para me conhecer de perto, para perceber o que me fazia feliz e
o que me fez chorar tantas vezes. Hoje estou aqui diante deste espelho
envelhecido pelo mesmo tempo, horas e segundos, onde aprisionei as minhas mais
valiosas emoções.
Consigo escutar as batidas fortes do meu coração, ele parece pedir socorro,
ou um simples ato de reflexão. Sinto a mais fria solidão, mesmo quando olho ao
redor e me vejo rodeada de gente. Olhei, novamente, para o meu interior e
consegui ver o amor, ele ainda vive dentro do meu espírito investigador. Bebi
da fonte da coragem e sou capaz de ter uma atitude audaciosa para mudar o meu
destino, compor um hino onde eu consiga falar com o despertar do meu coração,
mesmo quando eu não utilizar palavras, num piscar de olhos, hoje eu posso me
ver e fotografar, na memória, os mais delicados e valiosos sentimentos.
Ontem a minha alma sofria com o tormento da incerteza, dos medos que
escureciam o meu horizonte, hoje vejo na minha frente e na minha fronte
riquezas emocionais, raízes sentimentais que sustentaram à minha vida enquanto
enfrentei a descrença e a tormenta da ignorância.
A perseverança e a crença nos meus sonhos alimentou a força colorida que o
homem denominou de VIDA no meu ser e agora sou uma mulher que vive com
entusiamo e felicidade, uma alma de menina que venceu a escravidão da vaidade
tão estimulada pela doença do consumismo desenfreado.
FABIANA
BARROS
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