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DICA DE EXPOSIÇÃO - "Portinari na Coleção Castro Maya"
29/03/2009


A relação de amizade entre o pintor Candido Portinari (1903-1962), um dos maiores nomes da arte brasileira no século 20, e o mecenas e colecionador de obras de arte nacionais Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968) é o foco desta exposição. Uma amizade que ultrapassou os limites do mecenato, das encomendas e de projetos conjuntos.

Com o patrocínio da Companhia Paranaense de Energia (COPEL), são exibidas 58 obras, entre pinturas, desenhos e gravuras; além de fotos, livros e documentos nesta Mostra do Museu Oscar Niemeyer.

Adquiridas entre as décadas de 1940 e 1960, os trabalhos pertencem à Coleção Castro Maya, hoje o maior acervo público de obras do pintor, reunido no Museu Chácara do Céu, no Rio de Janeiro. A coleção teve início em 1943, quando o colecionador convidou Portinari para ilustrar o primeiro livro da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil. No Natal daquele ano, o pintou presenteou o colecionador com a tela do Retrato de Castro Maya. “A partir daí, encomendas, doações e aquisições foram enriquecendo o acervo e o fluxo de obras continuou mesmo após a morte do pintor em 1962”, comenta a curadora da mostra Anna Paola P. Batista. Castro Maya continuou a negociar e a perseguir as pinturas de Portinari até às vésperas da própria morte.


Menino com Pião, O Sonho, A Barca, O Sapateiro de Brodósqui, Grupo de Meninas Brincando, Lavadeiras, Morro n.11, são alguns dos trabalhos célebres apresentados no núcleo Colecionador, o qual destaca a relação profissional direta estabelecida entre os dois. Na subdivisão intitulada Mecenas, é possível encontrar as obras que resultaram de encomendas, como as gravuras Menino a chupar cana, Trabalhadores do engenho, Retrato de Menino, Velha Totonha e Homem a cavalo, entre outras. Amigos é título do terceiro núcleo, em que o enfoque é voltado para todos os registros, fotos, documentos e obras, como o Retrato de Castro Maya, que testemunham o afeto e as afinidades que uniram Portinari e Castro Maya.

Foi no campo dos livros ilustrados que o mecenas Castro Maya se realizou mais plenamente. “Com Portinari, deu-se a aliança feliz entre um bibliófilo comprometido seriamente com a edição de livros de arte e um artista que dedicou uma parcela significativa de sua obra a este tipo de empreendimento”. Juntos eles produziram, nas décadas de 1940-1950, os livros Memórias póstumas de Brás Cubas e O alienista, de Machado de Assis, e Menino de engenho, de José Lins do Rego.

Cândido Portinari

Nascido em uma fazenda de café em Brodowski, no interior de São Paulo, Portinari cursou apenas o primário. Apesar da origem humilde, desde cedo manifestou talento para a pintura. O artista começou a desenhar aos seis anos e aos nove participou durante vários meses dos trabalhos de restauração da igreja de Brodowski, auxiliando os pintores italianos. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, para frequentar a Escola Nacional de Belas Artes. Ainda jovem, ganhou um prêmio de pintura, que permitiu a ele se aprimorar em Paris, na França.

“Quanto mais próxima a partida mais aflito ficava. Olhava o chão, as plantas, os animais, as aves e aquela luz... Parecia que nunca mais iria ver tudo aquilo que era parte de mim mesmo. Quantas lágrimas derramei às escondidas. Vi e revi mil vezes todos os recantos. Saudade incontida do que ficava. (...) Procurava ensaiar para não ser traído pela emoção. Ia à casa de minha vó, trocava duas palavras e saía vencido, qual , não era possível. Voltava para casa, falava com minha mãe e sentia-me impossibilitado de dizer palavras. Não poderia despedir-me. Preferia não ir mas necessitava ir, estava na idade. O sol, a lua, as estrelas, as águas do rio, o vento, tudo ficaria lá e eu encontraria o escuro", escreveu o pintor em setembro de 1958, durante sua estada em Paris.

Saudoso da terra natal, Portinari voltou ao Brasil para registrar imagens ligadas ao povo e foi quem melhor retratou a identidade do trabalhador brasileiro. Considerado ícone máximo do Movimento Modernista, ele foi cultuado por muitos de seus contemporâneos. Mário de Andrade, por exemplo, considerava que o amigo era a mais útil e exemplar aventura de arte que já se viveu no Brasil. Foi reconhecido nacional e internacionalmente, virou tema de livros e mostras em vários lugares do mundo. Além de desenhos, pinturas e gravuras, ele se dedicou a pintar painéis e murais. Alguns exemplos são o Conjunto Arquitetônico da Pampulha e os painéis que decoram o edifício-sede da Organização das Nações Unidas, ONU, em Nova York. A produção de Portinari, ao longo da vida, é estimada em aproximadamente cinco mil obras.

 

Fonte: DescubraCuritiba.com.br

 

Artecult Serviço:

Onde: Museu Oscar Niemayer. Rua Marechal Hermes, 999 - Centro Cívico - Curitiba (PR).
Quando: de 21/03/2009 à 19/07/2009, de terça a domingo, das 10h as 18h.

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